PROGRAMAS DE " CURA" CONTINUAM
NOS EUA E SÃO PROIBIDOS NO BRASIL PELO CFP
Partindo do pressuposto de
que relação homossexual saudável é coisa que não existe, surgiram vários programas
nos Estados Unidos, assim como no Brasil, prometendo um verdadeiro milagre: transformar
homens e mulheres homossexuais em heterossexuais.
E para alcançar tal objetivo, eles utilizam o programa de 12 passos dos
Alcoólicos Anônimos, onde os membros partilham suas experiências dolorosas,
como vício em pornografia homoerótica, encontros de sexo grupal, relações
problemáticas com os pais, tudo como consequência direta do fato de ser homossexual. Se
a ligação já é questionável, os resultados são ainda mais controversos. Afinal, os
membros dos programas realmente se tornam heterossexuais ou simplesmente se abstém de
sexo? E suas relações heterossexuais são sadias?
Há relatos de
ex-participantes que tentaram o suicídio enquanto seguiam um desses programas, conhecido
como Love in Action. Os críticos da tentativa de cura de homossexuais,
como o Dr. Robert Cebaj, da Universidade da Califórnia, afirmam que o
comportamento homossexual nâo pode ser mudado e que tais programas causam mais problemas
psicológicos nos participantes do que se poderia pensar à primeira vista: o sentimento
de culpa, a vergonha, o sentimento de embaraço e uma combinação de raiva e depressão
podem levar a um estado de desespero. É por esse motivo que a Associação
Psiquiátrica Americana está acompanhando de perto os efeitos que tais programas
têm causado em seus participantes para tomar uma medida mais efetiva contra sua
realização.
No Brasil este ponto está
mais desenvolvido. Norma oficial do Conselho Federal de Psicologia
proíbe os psicólogos de participarem de tais programas. O profissional
denunciado pode ser expulso da entidade e ter seu registro cassado. E isto vale
também para os psicólogos que atuam em consultórios, se tentarem forçar seu paciente a
mudar de orientação sexual. Consideram-se que esta atitude pode traumatizar para sempre
o analisando.
Mas na realidade, alguns psicólogos
fazem pequenas sugestões e podem acabar levando o paciente a um processo de
negação, como foi o caso de J.C. (foto), de 22 anos, que concordou em
dar entrevista ao GLS Planet, contanto que fosse garantido seu anonimato. J.C. tomou a iniciativa de
consultar um psicólogo, por estar em dúvida sobre sua orientação sexual, embora seu
comportamento deixe evidente sua preferência. Ele não transa com mulheres. Seu
psicólogo não ajudou muito, nem atrapalhou, e ele continua procurando respostas. Presa
fácil para o programa de "cura".
Além disso, os homossexuais
também têm que enfrentar as ameaças de familiares que, confrontados com a realidade
sobre a orientação de seus filhos, acham em tais programas a saída ideal para
encerrarem o assunto.
O único problema é que o assunto nunca vai estar encerrado.
Notícia sobre a norma do CFP
Salves - Psicólogos ajudam? |